O ESPETÁCULO


Com duração aproximada de 150 minutos e um intervalo entre cada parte, o espetáculo assinado pelo compositor Vagner Cunha terá regência do maestro Antonio Borges-Cunha. Juntos, eles selecionaram os mais de 70 integrantes que participam do concerto. São 26 músicos das principais orquestras do país e cinco instrumentistas que, por mérito, receberam a oportunidade de representar a Orquestra Jovem Recanto Maestro, iniciativa de caráter social e pedagógico que leva o ensino de música a crianças e jovens da quarta colônia de imigração italiana. Há ainda 40 cantores do Coral Madrigal Presto, acompanhados pelo baixo Pedro Spohr e pelas sopranos Elisa Lopes, Carla Knijnik e Débora Sydow, com preparação vocal de Lúcia Passos e do regente João Paulo Sefrin.

Os solistas serão o tenor Flávio Leite, que interpreta Dante; a soprano Paola Bess, que dá vida à personagem Beatriz; e o barítono Carlos Rodriguez, que desempenha o papel de Virgílio. Organizado de maneira intuitiva por Cunha, o concerto tem três divisões. A primeira apresenta a bela jovem Beatriz, musa de Dante, e introduz os demais protagonistas da parte inicial de A Divina Comédia. No segundo segmento, são percorridos oito círculos do Inferno; e, por fim, na terceira etapa do espetáculo, o nono e último círculo.

A obra musical é baseada na tradução inédita de Inferno, feita por José Clemente Pozenato, e tem libreto do próprio escritor sobre o texto original de Dante Alighieri. Encomendada por Claudio Carrara, diretor-geral da Bell’Anima, a edição comemorativa do livro cumpre o desafio de adotar uma linguagem que aproxima o público brasileiro da indispensável grande obra. Com vocabulário direto e acessível, Pozenato criou um texto para ser lido e sentido nos dias de hoje. A nova publicação também terá lançamento no sétimo aniversário de morte do poeta italiano, com vendas de exemplares e sessões de autógrafos com Pozenato no Memorial Theatro São Pedro, dias 14 e 18 de setembro, das 18h às 19h30.

A parceria entre Cunha e Pozenato, que iniciou em 2018, com a Ópera O Quatrilho, ainda renderá outros bons e audaciosos frutos nos próximos anos, com a continuação do projeto em homenagem a Dante. Além do espetáculo musical e da tradução inédita dedicadas a Inferno, os artistas ainda planejam criar obras sobre as outras duas partes do poema épico do artista florentino: o Purgatório e o Paraíso.


SOBRE OS AUTORES


DANTE ALIGHIERI

“Fatti non foste per viver come bruti ma per seguir virtute e conoscenza”

Estes versos de Dante Alighieri são um convite para conhecê-lo. Celebram-se, este ano, os 700 anos da morte do poeta, considerado o pai da língua italiana. Entretanto seus versos, música em palavras, permanecem atuais, como a natureza humana que ele maravilhosamente descreve e que é destinada a ficar imutável no tempo. «Se há, em qualquer literatura, uma obra que se aproxime da designação "poema nacional", essa é certamente a Divina Comédia, composto por Dante Alighieri (1265-1321) nas duas primeiras décadas do século XIV, período durante o qual viveu continuadamente exilado da sua cidade de Florença, da qual fora expulso por razões políticas. Ao longo dos seus mais de catorze mil versos, agrupados em cem cantos, e escritos em língua vulgar, o poema de Dante («poema sacro... no qual puseram mão o céu e a terra») descreve as jornadas que conduzem o autor até à revelação divina, através das penas do Inferno, dos trabalhos do Purgatório e das beatitudes do Paraíso.» Dante expirou poucos meses após ter concluído a Commedia (mais tarde denominada Divina Comédia) e iniciou, como o próprio diz, a sua viagem para a revelação do amor divino, “o amor que move o Sol e as estrelas”

VAGNER CUNHA

Sem deixar de usar do melhor de sua formação clássica, o compositor Vagner Cunha transita em diversos gêneros e sonoridades para trazer à sua música originalidade e identidade. Nos últimos quatro anos, sua intensa produção integra seis discos e uma ópera, além de diversos trabalhos paralelos como arranjador e violinista. Suas composições têm sido estreadas por diversas orquestras e grupos de câmara brasileiros, com destaque para o Concerto para Violino Nº1, Concerto para Viola, Concerto para Violão de 7 cordas e Orquestra, o Concerto para Piano e Orquestra Sinfônica, Ballet Mahavidyas e Aleph. Sua obra autoral está nos discos Mahavidyas (2008), Além (2012), Variações São Petersburgo (2016), Vagner Cunha convida Guinga (2017), Los Orientales (2017), Yamandu Costa interpreta Concerto para Violão de 7 cordas e orquestra (2018), além de dois discos dedicados a poemas de Antonio Meneghetti, interpretados pela Camerata Ontoarte e Carla Maffioletti (2015 e 2017). Recebeu sete vezes o Prêmio Açorianos e, em 2011, o Prêmio FUNARTE de Composição. Atualmente é diretor musical da Camerata Ontorte Recanto Maestro - para a qual compõe regularmente em diversas formações camerísticas. Em 2018, dedicou-se à composição da Ópera O Quatrilho, sua primeira ópera, estreada com sucesso no Brasil. Suas mais atuais obras, Concerto para Oboé e Concerto para Acordeon e Orquestra, este último dedicado ao acordeonista Bebê Kramer, tem suas estreias marcadas para 2022. 

JOSÉ CLEMENTE POZENATO

Professor de Literatura Brasileira, Literatura Portuguesa e Literatura Italiana na Universidade de Caxias do Sul, iniciou a carreira literária em 1967, inicialmente na poesia. Em 1985, iniciou a carreira de ficcionista com a publicação da novela policial O caso do martelo, adaptada para a televisão e do romance O Quatrilho, uma narrativa centrada na primeira geração de filhos de imigrantes italianos no sul do Brasil. O romance foi levado ao cinema por Fábio Barreto e concorreu ao Oscar de melhor filme estrangeiro, em 1996. Além deste título, possui uma vasta publicação de novelas e contos de ficção. Como tradutor, foi responsável pela tradução da obra integral de O Cancioneiro, de outro monumental poeta italiano, Francesco Petrarca. Integrou o Conselho do Patrimônio Histórico e Cultural de Caxias do Sul e, por duas vezes, o Conselho Estadual de Cultura do Rio Grande do Sul. Foi também Secretário de Cultura de Caxias do Sul em 2006 e coordenador do curso de mestrado em Letras na Universidade de Caxias do Sul. É membro da Academia Sul-Brasileira de Letras e da Academia Rio-Grandense de Letras.

SOLISTAS

FLÁVIO LEITE

Presença frequente nas temporadas dos principais palcos nacionais, Flávio Leite tem se firmado como um dos mais atuantes e versáteis cantores líricos brasileiros de sua geração.

Acumula experiência em óperas que vão desde Il Combattimento di Tancredi e Clorinda de Monteverdi à Lulu de Alban Berg. Já foi Pylade em Iphigenie en Tauride, Jaquino em Fidelio, Tamino em A Flauta Mágica, Ferrando em Così Fan Tutte, Don Ottavio em Don Giovanni, Conde Almaviva em O Barbeiro de Sevilha, Don Ramiro em Cenerentola, Tonio em La Fille du Regiment, Beppe em Rita, Camille em A Viúva Alegre, Pong em Turandot, Mozart em Mozart e Salieri, Chevalier de la Force em Diálogo das Carmelitas, Professor em A Raposinha Astuta, Edrisi em Rei Roger, entre outros, acumulando 50 personagens em 8 idiomas diferentes já em repertório, desenvolvidos em 15 anos de carreira profissional. Com especial atenção às óperas de compositores brasileiros contemporâneos, nos últimos anos fez as estréias mundiais das óperas Dulcinéia e Trancoso e a Ópera do Mambembe Encantado de Eli-Eri Moura, O Menino e a Liberdade de Ronaldo Miranda, O Perigo da Arte de Tim Rescala, gravou a ópera A Estranha, de Vagner Cunha e participou da premiada versão moderna da última ópera de Villa-Lobos, A Menina das Nuvens. Cantou sob a regência de Luiz Fernando Malheiro, Roberto Duarte, Silvio Viegas, Marcelo de Jesus, Fábio Mechetti, Carlos Alberto Vieu, Enrique Ricci, Alessandro Sangiorgi, Massimiliano Carraro e foi dirigido cenicamente por André Heller-Lopes, William Pereira, Jorge Takla, Gustavo Tambascio, Vincent Boussard, Robert Driver, Ron Daniel, Gerald Thomas, entre outros.

Desenvolve ainda ampla atividade como camerista e solista em oratórios e obras sinfônicas como Magnificat, Cantata do Café e Oratório de Natal de Bach, Messias de Händel, A Criação de Haydn, Requiem de Mozart e de José Maurício Nunes Garcia, Nona Sinfonia e Fantasia Coral de Beethoven, Stabat Mater e Petite Messe Solennelle de Rossini, Messa di Gloria de Puccini, Carmina Burana de Orff e Le Roi David de Honegger com os principais regentes e orquestras brasileiras.
Flávio Leite é pós-graduado pelo Conservatório Superior del Liceu, em Barcelona e Mestre em Música pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.
PAOLA BESS

Soprano brasileira iniciou seus estudos musicais no Conservatório Pablo Komlós em Porto Alegre sob orientação do Tenor Decápolis de Andrade. Estreou como solista com a OSPA - Orquestra Sinfônica de Porto Alegre, aos 20 anos em concerto lírico de Rigoletto e La Traviata sob regência de Túlio Belardi e, no ano seguinte, participando de uma montagem de Madama Butterfly com a mesma orquestra, sob a regência de Ion Bressan e preparação operística do maestro Manfredo Schmiedt.

Os papéis chave de seu repertório são Santuzza em Cavalleria Rusticana, Micaela e Carmen em Carmen, Mimi e Musetta em La Bohéme, Liu em Turandot, Lauretta em Gianni Schicchi, Condessa em As Bodas de Fígaro, Nedda em I Pagliacci e,sobretudo, Violetta em La Traviata onde coloca sua voz e beleza a disposição da grande personagem verdiana.

Aperfeiçoou-se com grandes nomes do cenário erudito mundial tais como Carlo Colombara, Raffaella Ambrosino, Miguel Patron Marchand, Luis Sigal, José Oliveira Lopes, Decápolis de Andrade, Gisa Volkmann, Carlos Rodrigues, Carla Maffioletti, Alessandro Sangiorgi, Flávio Leite, Massimiliano Carraro , dentre outros.

Do repertório sinfônico-coral constam em seu currículo obras como Nona Sinfonia de Beethoven, Réquiem de Mozart, Missa de Santa Cecília de Gounod, Réquiem de Brahms, Magnificat de Bach, Gloria de Vivaldi, Lobgesang de Mendelssohn e Le Roi David de Honegger.
Atualmente vem se apresentando em concertos por todo estado com a Orquestra Unisinos-Anchieta, Orquestra de Câmara do Theatro São Pedro, Orquestra de Câmara da Ulbra, Orquestra da Universidade de Caxias do Sul, Orquestra Sinfônica de Porto Alegre- OSPA entre outras.

CARLOS RODRIGUEZ

Radicado na Europa de 1997 a 2005, graduou-se e se pós-graduou nos cursos de Performance em Ópera e Música de Câmara no Conservatório Superior de Música de Maastricht, na Holanda, e Stage Training for Opera Singers no Jeker Opera Studio, Holanda. Em 1999, foi semifinalista do Concurso Internacional de Canto Mozart em Salzburg, na Áustria, e, em 2003, ganhou o terceiro prêmio no Concurso Internacional de Canto Bidú Sayão, em Belém do Pará.

Na Europa, cantou em diversas óperas, destacando-se Angélique(Charlot), de J. Ibert; Amahl and the Night Visitors (Melchior), de G. Menotti; A Flauta Mágica (Papageno), de W. A. Mozart; e Carmen (Dancaïre), de G. Bizet. No Brasil, destacam-se Carmen (Dancaïre), no Theatro da Paz, em Belém do Pará; Rigoletto (Marullo) e Un Ballo in Maschera (Silvano), ambas de G. Verdi, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

Em Porto Alegre, A Flauta Mágica (Papageno), Don Giovanni (Masetto), Bastien und Bastiène (Collas) e Così Fan Tutte (Guglielmo), todas de W. A. Mozart, Tosca (Angelotti), de Puccini, no Theatro São Pedro; Madame Butterfly (Sharpless), de Puccini, Carmen (Dancaïre), de Bizet, no Salão de Atos da PUCRS; e A Boiúna(Tiago), de W. S. Portoalegre – estreia mundial da obra –, no antigo Teatro da OSPA.

Seu repertório conta, ainda, com várias obras de concerto: Carmina Burana, de C. Orff; Ein deutsches Réquiem, de J. Brahms; Sinfonia nº 9, de L. van Beethoven; Tenente Kijé, de S. Prokofiev; e Die Jahreszeiten, de J. Haydn, entre outras.

Em 2006, ao lado da Orquestra de Câmara do Theatro São Pedro, sob a regência de Antônio Carlos Borges Cunha, fez a estreia mundial da obra Recorrências, de Flávio Oliveira. Em 2005, foi fundador da Escola de Ópera da Orquestra Sinfônica de Sergipe.

Gravou vários CDs de óperas e de repertório de câmara e de concerto. Desempenha destacado papel no desenvolvimento de performers da música vocal, tanto como professor particular quanto como docente em cursos e oficinas pelo país.

Em 2019 e 2020, teve dois livros publicados pela Amazon dos EUA: The Baritone Roles Catalogue e The Baritone Arias Catalogue.

CORAL MADRIGAL PRESTO



Madrigal PRESTO, criado em 2008, é formado por 30 cantores e tem como o objetivo difundir a música erudita, buscando a excelência artístico-musical na interpretação de obras de destacado valor no repertório coral, escritas para essa formação, além de interpretar obras de compositores brasileiros em primeira audição  e arranjos de música popular brasileira. Tem se apresentado em eventos culturais, festivais de coros no Rio Grande do Sul e em outros estados.  

Em 2012 apresentou a Missa Brevis de Joseph Haydn com a Orquestra de Câmara FUNDARTE e em dezembro de 2015 participou da turnê Mestres da Música Clássica, que percorreu 08 cidades do estado, interpretando a Petite Messe Solennelle de Rossini, obra para Coral, piano, órgão e quarteto vocal solista.
Em 2020 o Madrigal PRESTO celebrou 12 anos de atividades.